Quando citei, em meu texto de apresentação, a semelhança entre cerveja e mijo velho, recebi mensagens de desaprovação e trorcidas de nariz, entre outras manifestações contra a minha opinião. Fui inclusive acusado de ser reacionário, de estar ficando velho e de ser partidário da extrema direita nazista. Não sou. Mesmo assim, aos amantes da industria cervejeira do Brasil, e aos militantes do PSTU de Mafra, eu faço aqui o Mea Culpa e explico-me com mais esmero.
Em primeiro lugar, discorrerei sobre o óbvio. Se cerveja tivesse realmente gosto de mijo velho, não seria interessante o consumo da mesma. Exceto por aqueles que sofrem de doenças mentais e compulsões de re-ingerir os próprios dejetos descartados pelo corpo, duvido muito que houvesse um mercado tão promissor assim para a cerveja, caso ela realmente tivesse uma grande semelhança de sabor com relação ao pejorativo mijo velho. Mas mesmo assim, imaginemos, se as gigantes da cevada aplicassem milhões de Reais em publicidades e se, hipoteticamente falando, o povo brasileiro fosse de fácil persuasão e manipulação, aí quem sabe fosse possivel vender toneladas de litros (?) de um produto de tão baixo e vil bouquet. Mas ainda assim, quero frisar e deixar claro que, caso as cerveja fabricadas em solo pátrio realmente tivessem gosto de mijo velho, e em caso relamente excepcional, fosse suficiente para motivar milhares de pessoas à consumir esse produto, então afirmo que seria mais vantajoso para ambas as partes, industria e consumidor final, que a primeira se aproveitasse unicamente da urina para engarrafar e depositar em gôndolas dos supermercados da vida. Obviamente, e espero que tenha ficado suficientemente claro, que eu não acredito no sentido literal da minha afirmação. Usei-a apenas de forma pejorativa e com motivos jocosos.
Em segundo lugar, falarei das cervejas nacionais em si.Se nos fosse possivel imaginar uma linha divisória que separasse as diferentes marcas de cerveja fabricadas no Brasil, teriamos então dois grandes grupos, chamados aqui de Grupo A, sendo esse o grupo das cervejas de primeira linha e de custo elevado, e Grupo B, sendo esse o grupo das marcas de cerveja que, pejorativamente, eu chamei de Mijo Velho. Ainda assim, e para uma melhor compreensão, eu sugeriria a criação de mais dois sub-grupos, entretanto não o farei por medo de tornar-me demasiadamente enfadonho em meus devaneios alcoolicos. Pois bem, a cerca do Grupo B afirmo que estão incluidas aqui todas as modalidades cervejisticas que se expõe demasiadamente em anuncios televisivos e midiaticos em geral. Seria da alçada dos estudiosos da comunicação e da publicidade que se tentasse provar alguma relação intrisica no binômio "Melhores Modelos-Piores Cervejas". Reduzindo o universo amostral apenas às modelos do sexo feminino e com os dotes fisicos que popularmente possam ser chamadas de gostosas. Nada de avaliar a relação de Zeca Pagodinho, ou então Baixinho Bigodudo, com o sabor aguado das cervejas. Isso seria de mau gosto e nada provaria. Concluindo o esse estudo, seria desnecessária a preocupação com as marcas de baixo custo e menor valor agregado, sendo que essas naturalmente já sofrem de um preconceito exalado inclusive por parte dos maiores consumidores de cerveja. Fica aqui exlcuido de qualquer juizo de valor em relação às marcas vagabundas que regam as festas de universitários, fruto de patrocinio de politicos e professores mão-de-vacas. São portanto as marcas de cerveja inclusas nesse aclamado popularmente Grupo B as vitimas de minha indignação anteriormente apresentada aqui.
Em terceiro lugar apresentarei a defesa às excludentes.Com o passar dos anos é natural que apresentemos mudanças de comportamentos, e com elas, mudanças de preferências, enfoques e toda sorte de procedimentos cognitivos que nos fazem ler e re-ler o mundo em nossa volta. Existe uma frase em latim, cujo as palavras eu não saberia recitar, mas que a tradução mais proxima poderia ser "Todas as coisas na natureza mudam, e com elas nós mudamos também". Assim posso afirmar ser natural que nos meus ultimos 15 anos eu tenha sempre galgado patamares superiores no que diz respeito à bebidas alcoolicas. Se em minha adolescência me era suficiente a ingestão do popular Tubão, e se em minha juventudo a cerveja nacional (aquelas do citado Grupo B e que reafirmo, metafornicamente, tem gosto de Mijo Velho) adornou as mesas dos bares em que frequentei, então concluo, satisfeito com minha sabedoria, que É da natureza que de alguns meses para cá, apenas as cervejas congratuladas com o titulo PREMIUM me agradem ao paladar. Assim afirmo que não me recuso em beber as cervejas de marcas nacionais, em hipotese alguma. Sei que em sua função embriagadora elas são de primorosa eficiencia. Mas não me farei de ignorante jamais. Não cairei em seu engodo e nunca mais discutirei qual é a melhor e qual é a pior. Me limito a exprimir opiniões apenas àquelas cujo degustar me seja prazeiroso.
Mas como é da sabedoria popular e do costume que se diga: Gosto é quem nem cú, cada um tem o seu.