Isso me lembra uma noite no meio da serra, em Morretes.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Reapresentando
Recentemente li numa revista o óbito da crônica. O autor da matéria dizia que esse estilo literário já havia desaparecido há muitos anos. E completava afirmando que apenas no Brasil a crônica ainda persistia. Fosse crônica diaria, politica, de costumes, esportiva ou qualquer outro tipo. Não sei nada a esse respeito. Não me lembro as razões que o autor defendia e nem sou catedrático em literatura para fazer suposições à cerca dos motivos da predileção do nosso povo pela crônica. Posso apenas afirmar que um vez cronista, sempre cronista.
Ser cronista é como ser poeta, só que escrevendo em prosa. Rimbaud dizia que a função do poeta era a de esgotar em si mesmo os proprios venenos. Ser cronista é quase isso, só que menos dramático. Quero dizer, o martírio fica para os poetas, que sofrem por serem incompreendidos. Para os cronistas fica a ironia de rir de si mesmo enquanto faz graça com os outros. Aos poetas as dores do mundo e da existência. Aos cronistas o alívio de pelo menos não ser um poeta.
O cronista, por sua natureza observadora, atua geralmente como uma antena que capta os sinais invisiveis do momento e as percepções dos fatos e retransmite-as traduzidas em pequenos receptaculos, capsulas do tempo, que serão lançadas ao futuro como um naufrago lança uma mensagem numa garrafa. O cronista é portanto um naufrago temporal. Mas sem pedir ajuda para sair de sua condição, ele explora toda a extensão insular do seu tempo e registra. E atira ao mar do tempo, só pra contar como era em épocas passadas.
Mas existe uma função oculta nesse oficio que é escrever cronicas. Uma tarefa mística, misto de alta feitiçaria com pajelança, que torna o cronista um legitimo descendente de deuses antigos e conhecedor de um ou dois truques de magica. Como os profetas biblicos, o cronista registra as eras da vida ao seu redor, catalogando-as de acordo com os eventos. Apenas ele, o cronista, é quem percebe com clareza a mudança de perspectiva, a guinada, o movimento da maré, o exto instante em que o mar recua depois de ter quebrado em ondas nas areias da praia.
Narizes de cera à parte, o que eu quero dizer, e acho que já ficou bem claro, é que estou voltando a escrever. Depois de três ou quatro meses de ausência, de incubação, retorno. Mas agora é um novo projeto. Suite Morphine ficou para tras, assim como ficou para tras parte da mim mesmo. Agora o espaço restante foi preenchido por outras pretenções, outras atitudes. Hoje tenho uma casa, uma companheira que gosto muito e dois cães que demonstram extrema felicidade toda vez que chego em casa. Também estou me aparimorando profissionalmente, encarando um desafio de dirigir e modernizar uma empresa familiar com mais de 50 anos de tradição. Acabei de comprar o meu primeiro carro, estou prestes a completar 30 anos e hoje me preocupa mais a minha coleção de quadrinhos do que com a discografia secreta do Pink Floyd. Parei de fumar e encarei algumas verdades sobre bebidas alcoolicas. A principal delas é que cachaça é obra do capeta e transforma a gente em zumbis sem vontade. Tambem conclui que Jaggermeister continua sendo um licor amaro de ervas, obra de uma alma caridosa que preocupou-se no passado com o paladar de pessoas especiais. E a finalmente: cerveja nacional é um engodo. Todas parecem xixi velho e as diferentes marcas são times de futebol de várzea diputando a taça Arranca-Toco da Baitaca de Cima.
Também não sei nada sobre as ultimas tendencias do Retrô-Chic, nem qual a ultima grande banda de rock ingles a fazer sucesso nos web-rings de hypes e moderninhos. Desisti de acompanhar o mundo do cinama arte, e acho que tudo o que hollywood faz é uma bosta, mas não me importo nem um pouco de sempre alugar os DVDs da prateleira de lançamentos. Continuo fazendo aquele programa de rock na AM, continuo frequentando o Paiol em noites de show, continuo fazendo churrascos para os amigos aqui em casa.
Aprendi que lugares magicos são fruto da presença de pessoas mágicas, e que sou um puto sorduto por conhecer e me relacionar com tantas pessoas que possuem brilho próprio. Descobri que Rio Negro e o centro do universo não por acaso, e que Mafra vai ser sempre a cidade mais proxima à orbita-lo.
Assim me reapresento com um novo blog, uma nova ideia e um novo enfoque. O resto a gente vai descobrindo junto.
Ser cronista é como ser poeta, só que escrevendo em prosa. Rimbaud dizia que a função do poeta era a de esgotar em si mesmo os proprios venenos. Ser cronista é quase isso, só que menos dramático. Quero dizer, o martírio fica para os poetas, que sofrem por serem incompreendidos. Para os cronistas fica a ironia de rir de si mesmo enquanto faz graça com os outros. Aos poetas as dores do mundo e da existência. Aos cronistas o alívio de pelo menos não ser um poeta.
O cronista, por sua natureza observadora, atua geralmente como uma antena que capta os sinais invisiveis do momento e as percepções dos fatos e retransmite-as traduzidas em pequenos receptaculos, capsulas do tempo, que serão lançadas ao futuro como um naufrago lança uma mensagem numa garrafa. O cronista é portanto um naufrago temporal. Mas sem pedir ajuda para sair de sua condição, ele explora toda a extensão insular do seu tempo e registra. E atira ao mar do tempo, só pra contar como era em épocas passadas.
Mas existe uma função oculta nesse oficio que é escrever cronicas. Uma tarefa mística, misto de alta feitiçaria com pajelança, que torna o cronista um legitimo descendente de deuses antigos e conhecedor de um ou dois truques de magica. Como os profetas biblicos, o cronista registra as eras da vida ao seu redor, catalogando-as de acordo com os eventos. Apenas ele, o cronista, é quem percebe com clareza a mudança de perspectiva, a guinada, o movimento da maré, o exto instante em que o mar recua depois de ter quebrado em ondas nas areias da praia.
Narizes de cera à parte, o que eu quero dizer, e acho que já ficou bem claro, é que estou voltando a escrever. Depois de três ou quatro meses de ausência, de incubação, retorno. Mas agora é um novo projeto. Suite Morphine ficou para tras, assim como ficou para tras parte da mim mesmo. Agora o espaço restante foi preenchido por outras pretenções, outras atitudes. Hoje tenho uma casa, uma companheira que gosto muito e dois cães que demonstram extrema felicidade toda vez que chego em casa. Também estou me aparimorando profissionalmente, encarando um desafio de dirigir e modernizar uma empresa familiar com mais de 50 anos de tradição. Acabei de comprar o meu primeiro carro, estou prestes a completar 30 anos e hoje me preocupa mais a minha coleção de quadrinhos do que com a discografia secreta do Pink Floyd. Parei de fumar e encarei algumas verdades sobre bebidas alcoolicas. A principal delas é que cachaça é obra do capeta e transforma a gente em zumbis sem vontade. Tambem conclui que Jaggermeister continua sendo um licor amaro de ervas, obra de uma alma caridosa que preocupou-se no passado com o paladar de pessoas especiais. E a finalmente: cerveja nacional é um engodo. Todas parecem xixi velho e as diferentes marcas são times de futebol de várzea diputando a taça Arranca-Toco da Baitaca de Cima.
Também não sei nada sobre as ultimas tendencias do Retrô-Chic, nem qual a ultima grande banda de rock ingles a fazer sucesso nos web-rings de hypes e moderninhos. Desisti de acompanhar o mundo do cinama arte, e acho que tudo o que hollywood faz é uma bosta, mas não me importo nem um pouco de sempre alugar os DVDs da prateleira de lançamentos. Continuo fazendo aquele programa de rock na AM, continuo frequentando o Paiol em noites de show, continuo fazendo churrascos para os amigos aqui em casa.
Aprendi que lugares magicos são fruto da presença de pessoas mágicas, e que sou um puto sorduto por conhecer e me relacionar com tantas pessoas que possuem brilho próprio. Descobri que Rio Negro e o centro do universo não por acaso, e que Mafra vai ser sempre a cidade mais proxima à orbita-lo.
Assim me reapresento com um novo blog, uma nova ideia e um novo enfoque. O resto a gente vai descobrindo junto.
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